"Se um dia sentires que tens algo para me dizer, liga-me."
Nunca ligaste. E talvez essa ausência seja a resposta para todas as perguntas que ficaram por fazer.
Talvez não sintas nada. Talvez não saibas sentir.
Ou talvez sintas demais e, ainda assim, nada tenha sido suficiente.
Hoje em dia, as pessoas já não sentem tanto, pois não?
Ser emocionalmente analfabeto parece trazer uma estranha paz a alguns.
Hoje pensei ligar-te. Na verdade, penso nisso todos os dias. Ao contrário de ti, sinto a tua falta.
Não pela falta que (me) fazes, mas pela saudade do que fomos juntos.
Daqueles dias em que saíamos de casa sem planos e regressávamos com o cabelo salgado, ou das noites em que adormecíamos ao som da música que nos esquecíamos de desligar.
Queria dizer-te que podíamos ficar em silêncio. Que não precisamos de ser mais nada.
Mas podíamos ser verdade.
As pessoas verdadeiras dizem o que dói, mas também honram o que foi bonito.
As que não o são tendem a afastar-se. E custa escrevê-lo enquanto te sinto muito longe.
Talvez as pessoas se afastem porque gostam de nós. Mas talvez não o suficiente.
Ou talvez não sintam nada e a única escolha seja mesmo seguir em frente.
Honestamente, não acredito em nada disto.
Às vezes, podíamos escolher gostar mais. Mas o coração não se programa, e ainda bem. Ninguém merece ser amado pela metade. Especialmente quando te amei inteira.
Tenho medo.
Mas tenho mais certezas.
E talvez sejam elas que me afastam de quem não sabe o que quer. Por essa razão, dou por mim a ponderar perder-me das minhas convicções para me encontrar de novo — talvez com certezas diferentes, talvez sem certezas nenhumas.
Sabes... é assim que me deito hoje: sem certezas de nada. Sem saber se as pessoas amam de verdade. Sem saber se a própria verdade existe. Se o que me dizias veio do coração, ou só da boca para fora.
São tantas as perguntas sem resposta.
Não que eu queira saber, mas talvez estejas feliz. Talvez aliviado. Talvez já nem te lembres de mim. Talvez exista quem te ocupe o pensamento. E sabes que mais? Está tudo bem, porque estou bem.
Mas conhecer-te por dentro permite-me saber qual é o teu outro lado e acho que é isso que me custa: ter merecido o teu lado mau, quando acredito no teu lado bom. Enfim...
No que depender de mim, o telefone não irá tocar. Mas no meu caso, quero que saibas que ficou muita coisa por dizer.
xx
Patrícia Luz
18 de abril 2026

